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_Toque_de_craque_
 


Nada de alas e alegorias

Analisando o Cruzeiro de baixo pra cima, percebemos que está tudo de ponta-cabeça. Confuso, sim, assim como a frase anterior. A Raposa sofre fatalmente com a "síndrome da Toca", que faz com que até o zagueiros mais raçudos, como Léo Fortunado, dêem bobeiras de níveis primários e fiquem desatentos e sem garra. Imagino que quem chega na Toca da Raposa não pensa em títulos e, logo, não tem amor à camisa. Não há no elenco celeste um jogador que tenha intimidade com a torcida. Os que tinham já caíram em descrédito por terem vindo como possíveis referências para os companheiros, o que não foram quando outrora por aquie estiveram, casos de Ricardinho e Geovanni. O marketing pessoal é que reina.Por falar nisso, alguém avise ao Ricardinho que ele não é dono do time, não é melhor do que ninguém e que sua principal qualidade, a vontade, já não é tão efetiva pela idade avançada. Ele sempre foi muito mais para "esforçado" do que para craque. Não pode ser o cobrador de faltas oficial. Nem de escanteios. Não pode avançar para o ataque em despirocada tentativa, deixando a responsabilidade toda em cima de seus companheiros de marcação. Ricardinho só faz isso porque chegou com pinta de "capitão intocável". Não é.

O Cruzeiro tem hoje no elenco dois bons volantes de contenção: Renan e Paulinho; e ainda conta com um jogador muito esforçado que, apesar da pouca técnica, ocupa espaços e dá combate, o Ramires. Oposto de Léo Silva. Este , volto a repetir, não pode jogar como volante. No máximo ponta de lança, com dois bons volantes na retaguarda para cobrirem suas loucuras momentâneas que sempre resultam em desastre. Infelizmente nessa posição loucuras não são permitidas.

Analisando outro setor, o qual tira o sono dos cruzeirenses, é nítida a desorganização tática da defesa celeste. Não creio que a baixa estatura tenha tanta importância, se fosse, o que seria da zaga do Real Madrid, com Sérgio Ramos e Cannavaro? Nessa parte do gramado sim, concordo com alguns analistas que afirmam que a inexperiência tem parcela de responsabilidade. Erros de posicionamento são claras evidências de que a falta de experiência conta e muito. Gladstone, Thiago Heleno e Luizão são exemplos transparentes disso. Léo Fortunato, acostumado a jogar em times menores, esforça-se, mas também não tem a mesma noção de espaço que tinha em seu clube de menor porte, entrosado e sem pressões em sua cachola.A diretoria parece ter percebido e trouxe Marcelo Tavares e Emerson, e tenta negociar com Fábio Luciano. Quanto às laterais, parece nostalgia dizer, mas há muito tempo não temos tantos problemas com as posições. Dorival parece ter abrido mão de vez dos alas e colocou um homem de cada lado para defender e não apoiar. Jogar como times pequenos que tiveram sucesso, jogando atrás e saindo nos contra-ataques, estilo Brasiliense. Isso mesmo, uma novidade no futebol, o jogo com quatro zagueiros. Que mesmo assim batem cabeça, e mais, com esse esquema, Dorival abandonou as jogadas de linha de fundo e opções de tabela para os meias. O treinador é competente e vem tentando de tudo, mas infelizmente nada tem dado certo, mesmo com quatro zagueiros e três volantes. O problema maior é a deficiência de marcação dos laterais. Alguns descordarão, mas se repararem bem, nem Mariano e nem Jonathan possuem uma boa roubada de bola.

Quanto ao ataque, não tenho do que reclamar. O Cruzeiro tem grandes jogadores para as posições de frente, que parecem estar se entrosando.

Para tantos problemas, decidi "inventar" uma solução simples e eficiente, capaz de nos salvar da crise. Quando um time vai mal, amigos, por mais que se tente, é difícil reparar erros apenas com modificações táticas ou troca de jogadores. O Cruzeiro precisa jogar sem invenções, com uma defesa organizada e na base dos contra-ataques, pelo menos até que se pegue ritmo. Para isso, colocaria três zagueiros, sendo um líbero. Já que a escassez de defensores existe, colocarei o nome do desconhecido Emerson na lista. Com Fábio Luciano como zagueiro central e Wellington na direita (com dois companheiros rodados, fica mais fácil se posicionar). O espaço de cobertura de cada um diminuiria, o que facilitaria o posicionamento e entrosamento. Na frente colocaria três volante, abrindo mão dos alas. Paulinho, Renan e mais um (Charles ou Ramires) fariam a cobertura, anulando as jogadas adversárias pelo meio. Esses seis jogadores formariam um retângulo defensivo, onde não deveriam dar espaço para lançamentos ou tabelas. Ponto. Dividimos a defesa e o ataque, nada de volantes ousados. Na frente, a qualidade de passe prevaleceria. Wágner na esqueda daria mobilidade, já que se movimenta bem e tem um bom chute. Na direita, Guilherme armaria as jogadas com velocidade e a inteligência habitual, chegando na frente. Roni, pela direita revezaria com Guilherme, ora atuando como um meia, ora como atacante. Daí acho que sairiam boas tabelas. Na esquerda, Araújo seria um incômodo total, podendo atuar até como ponta. Pra mim, um ataque no mínimo diferenciado. Poderíamos até nos dar ao luxo de colocarmos Marcinho no meio também, deixando Guilherme e Roni tabelando bonito dentro da área e guardando o samurai para utilizar sua velocidade contra os adversários cansados. Nesse setor sim, variações são completamente aceitáveis. Me arriscaria até a colocar Rômulo como pivô e liberaria dois atacantes de qualidade para jogar pelos cantos. Pela direita temos o Geovanni, que jogaria na posição que lhe é costumeira.

O time azul não vai cair. O futebol apresentado até hoje é medíocre, mas a Raposa é grande e vai superar as adversidades. Não será com reforços ou broncas, mas com aplicação tática e responsabilidade. Ficamos na torcida, então, para que os jogadores entendam que o Cruzeiro não é palco, que o Cruzeiro não tem craques para jogar da forma que lhe consagrou como time que joga no toque de bola. O futebol por aqui tem que deixar de ser poesia. Para sair desse buraco só com raça, determinação e trabalho em equipe. Desabafos a parte, força Cruzeiro!

 

www.cruzeiro.org

www.fanaticosporfutebol.com.br



Escrito por Lucas Amaral às 22h49
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• Mais uma derrota do Cruzeiro, dentro do Mineirão, desta vez para o Juventude: 3 a 2. E a Raposa, cheia de garotos, num trabalho que não deveria ser feito, a toque de caixa, em pleno Brasileirão, para a zona do rebaixamento (quatro pontos). E o time de Caxias do Sul, com duas vitórias seguidas, subiu para 11º. Ao Cruzeiro; só Araújo não salva. Só vender não resolve. Pelo menos até o dia de hoje, 10 de junho, o Cruzeiro é a maior decepção de toda temporada.

Lédio Carmona



Escrito por Lucas Amaral às 08h49
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