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Arroz com feijão, por que não?

11 Fevereiro 2007

No Juca Entrevista, Paulo Autuori falou que pára de conversar quando alguém diz “que não há mais nada que se inventar no futebol”. Então, é isso: voltar a sistemas manjados, ele não vai. Vamos, pois, esquecer do losango, quadrado, Nº 1, enganche, cabeça-de-área, limpa-trilhos, volante de contenção, centromédio etc. 

Autuori acredita em funções a serem cumpridas. Não em esquemas nos quais os jogadores fazem apenas o que sabem. Ele acredita em ocupação de espaços, recomposição defensiva e conceitos afins. Eu também acredito. Desde que os executores das funções tenham capacidade intelectual, técnica, física, mental e, sobretudo, determinação pra não sair do riscado um minuto sequer. Se acontecer como no clássico, vira lambança.

Agora, a verdade é que, decididamente, sou um cara fora de moda. Se fosse treinador, analisaria o elenco pra descobrir que possibilidades táticas suas peças permitem. E, provavelmente, escolheria um esqueminha manjado. Elementar. Algo que os jogadores saibam executar sem necessidade de muita reflexão. Arroz com feijão.

Se o elenco dispõe de um Alex e um Augusto Recife, a charada está resolvida: losango. Se tem dois carrapatos, como Naza e Luizinho, e dois criativos, como os juninhos, o Paulista e o Pernambucano, também está resolvido, é quadrado. Se não tem nenhum criativo, escalaria 3 ou 4 volantes. Eles teriam de roubar a bola e esticá-la para um velocista puxar o contra-ataque e acionar o centroavante.

Do jeito que o Cruzeiro está armado, os laterais não podem atacar muito pra não deixar espaços, pois os volantes não são bons protetores de alas. Os meias têm de se posicionar de tal forma que impeçam a livre movimentação dos meio-campistas adversários. E ainda arranjar forças para crias jogadas tanto pelas pontas quanto pelo meio de ataque. E eles simplesmente não deram conta desta sobrecarga no clássico. Assim, as jogadas pelas pontas foram raras e o centroavante não jogou. 

Tenho a impressão de que desarmar, armar, jogar pelas pontas, aparecer para eventuais finalizações, ocupar espaços e fazer a recomposição defensiva tem sido demais para nossos jogadores de meio de campo. Daí a confusão geral que permitiu generosos espaços para o rival controlar o jogo a partir da zona central.

Continuo torcendo para que dê certo, mas, confesso, estou preocupado. Com a palavra nosso consultor tático, João Chiabi Duarte.

 

www.cruzeiro.org/blog



Escrito por Lucas Amaral às 00h20
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