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Jorge Santana

Mais uma vez posto aqui uma brilhante coluna feita por Jorge Santana.

Variações em torno do esquema

24 Novembro 2006

Com os jogadores que tem para escalar o time domingo contra o campeão brasileiro, Oswaldo de Oliveira poderia escolher vários sistemas de jogo. Não sei qual seria o melhor. À consideração dos comentaristas.

  • 3-5-2 oswaldiano
    Fábio,
    Thiago Heleno, André Luis e Eliezio;
    Gabriel, Jonilson, Martinez, Élson e Leandro;
    Geovanni e Diego.
  • 4-4-2 convencional
    Fábio,
    Gabriel, Thiago Heleno, André Luis e Leandro;
    Elson, Jonilson, Martinez, Kerlon;
    Geovanni e Diego.
  • 4-1-4-1 à européia
    Fábio;
    Gabriel, Thiago Heleno, André Luis e Leandro;
    Jonílson;
    Geovanni, Elson, Martinez, Kerlon;
    Diego.
  • 4-2-2-2 à moda vascaína em 2000
    Fábio,
    Gabriel, Thiago Heleno, André Luis e Leandro;
    Jonilson e Aldo Souza;
    Kerlon e Martinez:
    Geovanni e Diego.
  • 4-1-2-1-2 zagalliano
    Fábio,
    Gabriel, Thiago Heleno, André Luis e Leandro;
    Jonilson,
    Elson e Martinez
    Kerlon;
    Geovanni e Diego.
  • 3-6-1 de segurança máxima
    Fábio,
    Thiago Heleno, André Luis e Eliezio;
    Gabriel, Jonilson, Aldo Souza, Martinez, Élson e Leandro;
    Diego.


Escrito por Lucas Amaral às 13h00
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Aos meus leitores, peço que leiam atenciosamente a um texto de Jorge Santana, um grande autor.

A bandeira do Gabriel

20 Novembro 2006

Há algum tempo, o ídolo de quase todos, Chico Buarque, disse que só havia dois brancos de verdade no Brasil: Xuxa e Taffarel. Si non è vero, è ben trovatto. Este é um país de mestiços. E, embora tenha racistas, não é um país racista. Complicado? Pra muita gente, sim. É de dar nó no cérebro. Mas é assim que funciona.

Mostrar o óbvio, contudo, é perdade tempo. A moda é copiar os USA. E lá, por muito tempo, houve segregação física, espacial, psicológica e cultural entre pessoas com peles de cores diferentes. Chagas que o tempo, a luta pelos direitos civis e a construção da auto-estima dos antigos segregados trataram de cicatrizar. Aqui, não. Quem tem grana, se dá bem. Brancos, e, sim senhores, negros também. Desde bem antes da abolição. E não acnteceu só com Chico Rei - não o cantor de sambinhas, mas o escravo de Vila Rica.

Mas, como ia dizendo, trata-se de uma discussão perdida antecipadamente. Intelectuais brasileiros, mesmo com todo seu antiamericanismo, copiam a América. E tome cotas, discursos acerca da consciência negra e papos afins. E, pior ainda, tal qual aconteceu no nazismo, tome classificação racial nas escolas! 

O que os intelectuais tabajaras se recusam a aceitar é o fato de não existirem raças. É científico. Eles não ouvem a voz da ciência. Nem mostram intenção de largar o osso. Vá perguntar a quem trombeteia ser este um país racista se topa dividir sua polpuda conta bancária com as vitimas do racismo que alega existir. Os bem-pensantes não dividem coisa alguma. Nem com negros e nem tampouco com brancos e mestiços pobres. É pura festa da palavra desarticulada com o gesto.

Foi nesta onda que o ala Gabriel levantou sua bandeira anti-racista, ontem. Não fez mal. Nem bem. Foi só propaganda. Deu em nada. Nem a ESPN do B reparou. Tenho a impressão de que o povo pobre, negro,  mestiço, amarelo, vermelho ou branco, não percebe o que o rico Gabriel tá querendo. O capitalismo nivela cores e e sexos. Todo mundo é consumidor de serviços e mercadorias e vendedor de força de trabalho. Não importa a cor da pele ou o sexo. Formalmente, todos são iguais no âmbito da relação entre capital e trabalho. 

Agora, no dia em que alguém chutar, de novo, a Santa Padroeira ou esculhambar o Pelé, símbolos mais importantes da fé brasileira, aí, sim, o bicho vai pegar. A santa pelo que representa para quem sofre. O Rei pelo que representa para quem corre atrás do sucesso. Como a maior parte dos que jogaram, ontem, ao lado do Gabriel. Dos 26 em campo, 16 eram negros, 10, brancos ou mestiços. Todos ricos para os padrões brasileiros. 

O Gabriel que trate, pois, de jogar bola mais redonda do que a que anda rolando. Só com marketing ele não vai se dar bem. E jogando mal, jamais será ouvido. Pelé, repito sempre, sem discursar, mostrou o caminho. Competência é que põe a mesa. Lição que milhões de brasileiros de todas as cores aprenderam e, por isso, vão tratando de meter o pé na porta do sucesso. Com ou sem campanhas.

Jorge Santana

http://www.cruzeiro.org/blog/

 



Escrito por Lucas Amaral às 14h24
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Entrevista exclusiva com André Luís

Na tarde desta segunda-feira, após o empate contra o Santos, tive a oportunidade de entrevistar o zagueiro do Cruzeiro André Luís. O gigante azul conta que gosta muito de subir à área em bolas paradas, fala sobre o racismo e manda um recado para a torcida.

Dados pessoais: André Luís é gaúcho e já atuou em grandes clubes do cenário esportivo mundial. O rapaz, que nasceu em Porto Alegre, destaca-se por sua eficiência técnica e facilidade em bolas aéreas. Tem 27 anos e já atuou por equipes como Santos - onde foi bicampeão brasileiro - Fluminense, Benfica e Olympique de Marselha.. Hoje no Cruzeiro o muro de 1,92m parece feliz, tendo inclusive algumas boas propostas vindas da Europa.

Na entrevista procurei ser o mais breve e direto possível. Deixo aqui humildes elogios ao simpático defensor cruzeirense, que apesar da folga, me atendeu com muita alegria. Eis aqui as perguntas respondidas com o sotaque sulista do zagueiro André Luís:

Lucas Amaral: Você chegou no Cruzeiro com uma grande responsabilidade, substituir o zagueiro Edu Dracena, recentemente vendido, que é considerado por muitos o melhor defensor revelado pelo futebol brasileiro nos últimos anos. Houve muita cobrança no começo ou a torcida foi paciente?

André Luís: Pelo que eu estou vendo a torcida tem sido paciente comigo. Eu sei que a responsabilidade é grande, substituir o Edu Dracena que é um excelente zagueiro. Mas o Edu Dracena é ele e eu sou o André Luís, então não tem como nos comparar porque o meu estilo de jogar é diferente do dele.

Lucas Amaral: O Cruzeiro nos últimos anos vem adquirindo a tradição de ter sempre excelentes jogadores defensivos, que hoje são cotados até para a seleção brasileira, como no caso de Cris, Luisão, Gilberto, Maicon, Edu Dracena e recentemente o seu companheiro de zaga Gladstone também foi convocado. Voltar a servir a seleção brasileira está nos seus planos? O Cruzeiro pode ser a porta para isso?

André Luís: O objetivo de todo jogador é voltar à seleção brasileira, né? O jogador que não tiver vontade de voltar à seleção brasileira tem que largar de jogar futebol. Esse é o meu objetivo e eu estou trabalhando que é para algum dia, se Deus quiser, voltar à seleção brasileira.

Lucas Amaral: A torcida cruzeirense confia em você. Há propostas de outros clubes ou você deve ficar na Toca para a temporada de 2007?

André Luís: Propostas eu tenho, de outros clubes da Europa. Agora quem vai decidir se vai me liberar é o Cruzeiro, porque eu tenho um vínculo com o Cruzeiro de três anos e só ele decide se eu vou pra Europa de novo ou não.



Escrito por Lucas Amaral às 01h47
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Lucas Amaral: Você prefere um esquema com dois ou três zagueiros? Por quê?

André Luís: Pra mim tanto faz jogar com dois ou três zagueiros, já estou acostumado. Sempre joguei tanto com dois como com três zagueiros, para mim não faz diferença. É um marcar e outro sobrar quando se joga com dois. Agora, quando se joga com três há liberdade de um subir para o ataque.

Lucas Amaral: Você já teve a oportunidade de ser campeão nacional por três vezes: duas pelo Santos e uma pelo Benfica, de Portugal. O Cruzeiro, com o elenco que tem hoje, poderia estar em uma melhor posição na tabela não fossem as muitas contusões que atrapalharam o time?

André Luís: Como você falou, poderíamos estar melhor hoje na tabela se não fossem as contusões mas acho que isso não tem nada a ver. O Cruzeiro hoje não está melhor na tabela porque faltou um pouco a mais de nós, jogadores. Nós sabíamos que tínhamos condições de chegar ao topo da tabela e até à classificação para a Libertadores, todos estamos cientes disso e agora é trabalhar pro ano que vem.

Lucas Amaral: A estrutura do time mineiro pode ser comparada à de grandes clubes pelos quais você passou como Benfica e Olympique de Marselha?

André Luís: Com certeza. O Cruzeiro é um grande clube, né? Tem uma estrutura muito grande. E pelo Benfica, Olympique de Marselha, Santos, que são clubes que eu passei , Fluminense também, os únicos que têm a estrutura do Cruzeiro são Santos, Olympique e Benfica porque o Fluminense não tem a estrutura que tem o Cruzeiro. Então pode-se considerar que o Cruzeiro é um grande clube e tem uma grande estrutura.

Lucas Amaral: No jogo contra o Goiás o jogador Romerito o acusou de agressão no final da partida. O que houve? É verdade que ele lhe agrediu verbalmente?

André Luís: É, me xingou né? Deu um bolo, uma confusão, não sei com qual jogador, ou o Élson ou o Gabriel. Eu cheguei pra afastar e ele acabou me chamando de macaco. Eu não gostei e falei que ia colocar ele na justiça porque não pode fazer isso. Fiquei muito chateado com ele mas isso já passou. Eu estava mais preocupado com a classificação para a Libertadores que o Cruzeiro estava precisando e acabei deixando isso de lado e procurei fazer meu trabalho.

Lucas Amaral: O jogador argentino Desábato chegou a ir para a cadeia após ter sido flagrado por câmeras de televisão agredindo verbalmente o até então atacante do São Paulo Grafite. Você acha que a punição para o racismo deve ser rigorosa a esse ponto?

André Luís: É verdade, tem que ser rigorosa porque um jogador tem que respeitar o outro. Jamais pode chamar um jogador de macaco, de preto ou outra coisa, né? Tem que ser respeitado. Cada um tem que fazer seu trabalho profissional e não tem que xingar um ao outro. Ali todo mundo é amigo, é um grupo. Hoje ele está jogando contra mim mas amanhã pode estar trabalhando comigo e isso não pode acontecer que se depois a gente se encontrar pode ficar mais complicado.

Lucas Amaral: Também no jogo contra o Goiás vimos o seu companheiro de zaga Gladstone marcar 2 gols, um anulado injustamente pelo juíz, que marcou pênalti e expulsou o goleiro Harlei e novamente contra o Santos, na cobrança de falta. Pelo seu tamanho, sabe-se que é eficiente em jogadas aéreas. Você prefere permanecer no seu posto defensivo ou subir para o ataque nas jogadas de bola parada?

André Luís: Eu gosto de subir. Nas jogadas aéreas eu sempre subi, tanto no Santos quanto no Benfica e no Olympique. Esse é o meu estilo, o de ir pra área. Não estou tendo sorte de fazer gols de cabeça, mas isso é com o trabalho e com o tempo que eu vou conseguir. A minha jogada específica é essa.

Lucas Amaral: O que você acha da nova safra de zagueiros cruzeirense? Thiago Heleno e Luisão têm potencial para se tornarem grandes jogadores?

André Luís: Com certeza! O Thiago Heleno, o Eliézio, o Luizão, o Teco e até o Gladstone, que são jogadores jovens têm tudo para chegar à seleção. Agora depende só deles, potencial eles têm. Desde que eu cheguei aqui analisei bem os jogadores, são excelentes, não tem o que falar deles. Agora depende deles, tem que impor, trabalhar e com o trabalho eles tem tudo para chegar à seleção, tranqüilo.

Lucas Amaral: Para finalizar, gostaria de mandar algum recado para a torcida cruzeirense?

André Luís: O recado que eu tenho para mandar para a torcida do Cruzeiro é que ali existe um grupo, uma união, ninguém está de sacanagem. Todos os jogadores estão querendo, dá pra ver olhando nos olhos de cada um. Todo mundo queria chegar ao objetivo que era a Libertadores ou até ser campeão brasileiro. Agora, isso que andam falando que tem muitos jogadores sem vontade, que não estão dando raça, isso é mentira. A gente conhece uns aos outros, todo mundo tem um objetivo, fazer um contrato maior, ir para a Europa. O que eu tenho pra dizer para a torcida é que empenho não faltou. A gente sabe que foi complicado, jogamos contra o Corinthians, que estava desesperado no rebaixamento, é difícil jogar contra um clube assim. Depois jogamos com o Fluminense...

Lucas Amaral: ...Santa Cruz...

André Luís: ...Santa Cruz também, que estava desesperado pra não cair. Então é difícil, é complicado, eles querem sair da situação e todo mundo sabe, jogar contra o Cruzeiro, uma grande equipe, os caras dão a vida deles. E ninguém jogou de sacanagem não, do outro lado a gente entende que tem um adversário e ele quer nos derrotar. Foi mérito deles ganharem. Tudo bem, a torcida fica chateada, não aceita perder pro Santa Cruz, mas acontece, faz parte do futebol. Mas como eu falei, ali é um grupo, uma união, todos querem fazer um contrato maior , ir para a Europa, além de ajudar o Cruzeiro a chegar aos objetivos que tem, que são os títulos. O recado que eu tenho para dar é que todo mundo está trabalhando, sempre querendo ajudar o Cruzeiro.

*Obs.: No último sábado, dia 18, cerca de trinta torcedores do Cruzeiro invadiram a Toca da Raposa 2 durante o treino para protestar contra a má fase do time e contra o treinador, que discutiu com alguns dos invasores.

Lucas Amaral: Muito obrigado André Luís, a torcida cruzeirense agradece a entrevista e a segurança que você tem dado à defesa celeste. Muita sorte!

André Luís: Valeu, um abraço a todos!

Considerações finais: Gostaria de frisar uma parte importante da entrevista, quando André Luís fala sobre racismo. Venho aqui pedir o apoio da torcida azul na campanha que pretende abolir o racismo do futebol. Vamos mostrar que no Brasil também existe o respeito. Na Europa, onde tanto se fala de povo civilizado, acontecem freqüentemente atos lamentáveis de racismo. O nosso ala direito, Gabriel, promoveu uma campanha, no domingo, contra o Santos. Ele consultou a diretoria e levou uma faixa ao campo, protestando contra o preconceito de uma forma geral.

Ronaldinho Gaúcho, Mineiro, Thierry Henry, Samuel Eto’o, Drogba, Makelele, Essien, todos craques inquestionáveis da atualidade, merecem nosso respeito. É hora de evoluir. Poderíamos levar faixas, cartazes e tudo mais em prol de tão justa causa. O mais importante, porém, é o sentimento de irmandade étnica e a consciência de que liberdade não pode ser privilégio de determinada cor ou bandeira. Somos todos iguais e, dentro de campo, é o talento que faz a diferença.

Um grande abraço, amigos!



Escrito por Lucas Amaral às 01h46
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Aplausos aos campeões

Parabéns São Paulo, Campeão Brasileiro de 2007! Assim que o jogo acabou em São Paulo, o tricolor paulista ainda não pôde comemorar o título brasileiro. Antes disso, foram necessários intermináveis dez minutos de espera, já que o jogo entre Paraná e Internacional foi interrompido aos 14 do primeiro tempo por motivos climáticos. O São Paulo dominou o jogo, mas só conseguiu empatar, o que não impediu o clube de gritar definitivamente "é campeão". É um título merecido, fruto de um bom trabalho estrutural que tem sido desenvolvido há anos. Além de um elenco muito regular, o São Paulo possui um bom treinador e uma infra-estrutura de dar inveja. O campo de treinamento e o departamento médico são comparáveis aos melhores do mundo. Não existe nenhum jogador espetacular no plante são-paulino e sim uma equipe muito concentrada e bem organizada. Congratulações ao amoda clube brasileiro!

Escrito por Lucas Amaral às 14h30
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